Nas três décadas do meu trabalho para o desenvolvimento da cultura musical em Moçambique, testemunhei por perto o empobrecimento e a perda de grandes artistas do nosso País e muitos casos de discriminação e censura, praticados por funcionários do governo, organizações não governamentais e pela própria Associação dos Músicos.

Eu próprio, fundador de três empresas moçambicanas, produtor e promotor, com mais de 150 álbuns gravados nos meus estúdios e mais de 200 concertos organizados nas digressões internacionais, fui confrontado várias vezes com racismo, ameaças, roubos e difamação pública.

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Um destes casos foi a morte do músico popular da Beira, Gil Pinto.

Três semanas antes de sua morte, em Março de 2016, conversei com ele na cerimônia de inauguração do Estúdio do Conselho Municipal da Beira, que de acordo com meu contrato assinado no dia 10 de Fevereiro de 2016 com o Presidente do CMB Daviz Simango, eu deveria estar gerir.

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Gil Pinto lamentou que desde nosso encontro na Beira em 2009 nada mudou na sua carreira e que apesar da popularidade ainda não consegiu realizar o sonho de construir uma casa digna para sua família.

O artista reclamou que nunca recebeu apoio nem do Conselho Municipal do MDM, nem das instituições dirigidas pelo partido Frelimo ou pela Associação dos Músicos na Beira.

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Diante dessa situação de desgraça de um artista e no momento de luto, era uma vergonha ver como o Edil e a Governadora lutaram para aproveitar da popularidade e da morte do Gil Pinto para interesses políticos.

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Falei com artistas da cidade da Beira e uma semana após a morte do Gil Pinto apresentei ao Edil Simango uma iniciativa de uma homenagem.

Sugeri que as receitas da venda do álbum e da realização de um concerto fosse beneficiar a família enlutada.

O Edil do CMB já havia anunciado publicamente o apoio, que não se limitou a cobrir as despesas do funeral.

Gil PintoDhakala Band
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Dhakala Band "Gil Pinto" - uma das músicas para o disco de homenagem

As gravações instrumentais começaram em abril 2016 no estúdio da minha empresa "Inside Mozambique Lda." na Província de Maputo com músicos moçambicanos e zimbabweanos.

 

O trabalho das gravações vocais iniciou pouco mais tarde no estúdio na Beira sob pessimas condições acústicas, alegadamente por falta de fundos para o isolamento.

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Maio 2016: O estúdio na Beira numa casa de banho no Novocine, 2 meses depois da sua inauguração oficial.

As empresas Cornelder de Moçambique S.A.R.L. e Banco de Moçambique foram as primeiras a confirmar um patrocínio para a produção da homenagem.

PatrocinadoresDhakala Band
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Os patrocinadores nomeados em agradecimento na música da Dhakala Band

O Edil indicou o Director Apingar Garcia e Sande Carmona, porta-voz do MDM como responsáveis pela gestão financeira da minha iniciativa, no entanto, os fundos não foram disponibilizados para a produção.

O Edil indicou o Director Apingar Garcia e Sande Carmona, porta-voz do MDM como responsáveis pela gestão financeira da minha iniciativa.

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