Sobre meu trabalho como Assessor para Área de Educação e Cultura no Conselho Municipal da Beira

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Em Julho de 2015 o Edil do Município da Beira, Daviz Simango, numa reunião na sede do seu Partido MDM em Maputo pediu apoio profissional para um projecto de instalação de três estúdios de baixo custo e de formação de jovens técnicos de som nos Municípios da Beira, Quelimane e Nampula. Para o efeito o Edil se comprometeu a preparar um contrato de prestação der serviços com a função de Assessor para Área de Educação e Cultura, com início em Setembro de 2015. Em seguida o projecto foi anunciado publicamente.

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Em Outubro de 2015 viajei para Beira para começar a instalar o equipamento do primeiro dos três estúdios projectados. No Município da Beira iniciei as gravações com os artistas selecciondaos pelo Edil: a jovem cantora Ndjira e o grupo Dhakala Band. Como as obras das futuras salas do estúdio no primeiro andar do Auditório Municipal "Novocine" ainda não estavam concluídas, tivemos que trabalhar no escritório do Director Apingar Garcia, nomeado coordenador do projecto da produção musical e formação no Município da Beira. O Edil decidiu provisoriamente instalar o sistema de ar condicionado comprado com fundos para o futuro estúdio neste escritório.

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Em Dezembro de 2015 numa visita do Edil ao meu estúdio na Massaca/Boane, foi concordada uma parceria para realizar a primeira edição do Festival MOYA no dia 1 de Junho de 2016. Para promover novos talentos e um intercâmbio com talentos de outros países, o festival internacional seria realizado anualmente no Dia Internacional da Criança na Beira, em Quelimane e Nampula.

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Em Janeiro de 2016 viajei novamente para Beira. Mas, ao contrário da confirmação do Edil, meu contrato ainda não estava preparado e ainda faltava concluir as obras nas salas do futuro estúdio. Na formação agendada no "Novocine" não participou nenhum jovem porque o coordenador do projecto  a nível local da Beira, Apingar Garcia, não havia divulgado nenhum anúncio.

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Em Fevereiro de 2016 depois de esperar 5 meses pelo contrato, viajar três vezes para Beira e trabalhar sem receber um salário ou uma ajuda de custo, foi assinado o contratado para prestar serviços com a função de Assessor para Área de Educação e Cultura, ficando sujeito às disposições constantes no Estatuto Geral dos Funcionários do Estado que lhe forem aplicáveis.

Em Março de 2016 numa conferência de imprensa no "Novocine" por ocasião da cerimônia de abertura oficial do estúdio, o Edil apresentou publicamente o Director Apingar Garcia como coordenador do projecto da produção musical e formação no Município da Beira e o deputado e porta-voz do MDM, Sande Carmona, como coordenador nos Municípios de Quelimane e Nampula.

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Na conferência de imprensa em Março de 2016 actuaram em playback a jovem Ndjira e a Banda Dhakala a mostrar as primeiras gravações feitas num escritório sem condições acústicas. (Audio)

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Em Março de 2016 o jornal Diário de Moçambique publicou sobre meu trabalho na produção do primeiro álbum da banda Dhakala. O jornal parabenizou o Edil pela iniciativa de criar condições na Beira, em Quelimane e Nampula para os músicos não depender mais de estúdios em Maputo, um trabalho que está sempre associado a custos muito altos.

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Logo após a morte do artista popular da Beira, Gil Pinto em Março de 2016, ofuscada por uma discussão pública vergonhosa entre o Governo Provincial e o CMB, apresentei a iniciativa de produzir um disco de homenagem com vários artistas da Beira para com a receita das vendas beneficiar a família enlutada. O Edil Daviz Simango aprovou o projecto, anunciou publicamente que o Município apoiaria a família do artista falecido e entregou a responsabilidade financeira pela administração do patrocínio e pela organização do concerto solidário ao Director Apingar Garcia.

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Em Abril de 2016 viajei para Beira e iniciei as gravações do disco de homenagem. Depois da primeira semana de gravações, o Director Apingar Garcia anunciou que havia sido decidido que a receita do patrocínio só estaria disponível para a realização do espectáculo de homenagem em Maio, um evento que depois não se realizou. Numa das músicas gravadas para o disco de homenagem, o vocalista do grupo Dhakala Band agradeceu aos patrocinadores Cornelder de Moçambique e Banco de Moçambique. (AUDIO)

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Em Abril de 2016 Daviz Simango informou que as obras nas salas do futuro estúdio no primeiro andar do Auditório Municipal continuariam atrasadas e sugeriu que eu trabalhasse com os artistas numa casa de banho abandonada no R/C, sem isolamento de som. Informei ao Edil que o computador do estúdio foi danificado com vírus, que programas operativos foram deinstalados e baixados vídeos pornográficos. Questionado pelo Edil o Director Apingar Garcia confirmou que ele autorizou que o colega Estevão David Ucama pudesse levar o computador do estúdio para produzir spots publicitários em casa.

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Em Abril de 2016 o Edil da Beira decidiu adiar o Festival Internacional Moya por um ano, mas confirmou que as obras do novo estúdio seriam concluídas em Maio.

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Em Junho de 2016 falhou novamente o início da formação dos jovens técnicos de som porque não houve nenhum anúncio na Beira. Informei Daviz Simango que um dos dois microfones e a placa de som foram roubados. O Director Apingar Garcia acusou o colega Estevão David Ucama. O coordenador dos projectos, Sande Carmona, mandou trocar a fechadura do estúdio. O Edil informou que as novas salas para instalar o equipamento só estariam disponíveis no mês seguinte.

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Em Junho de 2016 o Diário de Moçambique publicou uma entrevista comigo sobre os vários projectos nos três Municípios, como as produções com artistas locais, a formação de jovens, a promoção de talentos nos bairros e o Festival Moya.

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Devido aos furtos e à falta de software no computador do estúdio, tornou-se necessário levar vários equipamentos móveis do meu estúdio para realizar o trabalho na Beira.

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Na viagem em Agosto de 2016 no meu voo para a Beira, a minha mala perdeu-se na escala do aeroporto de Tete. Apenas dois dias após meu relatório à LAM (Processo BEWTM012047) a mala foi encontrada aberta, com equipamento no valor de cerca de mil dólares roubado. Por ser uma viagem de trabalho, o Edil instruiu o coordenador do projecto, Sande Carmona, para dar uma assistência no processo do pedido de indemnização, quando as LAM pararam de tratar o caso, até hoje não resolvido.

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Apesar de várias reclamações durante minha estadia na Beira em Agosto de 2016 e nas correspondências com o Edil entre 2016 e 2020, não recebi do responsável pelas finanças Nilton Soares o reembolso da viagem à Beira que visava a realização de formação e gravações com artistas locais.

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Em Agosto de 2016, 5 meses depois da inauguração oficial do estúdio do Município da Beira, as gravações continuaram a correr na pequena sala da antiga casa de banho porque as novas salas de estúdio ainda não estavam disponíveis.

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No dia 15 de Agosto de 2016 sofri uma burla. O Director Apingar Garcia solicitou um emprestimo de 56.000,00 MT que prometeu devolver logo depois da entrada de fundos do Município que ele estava a espera. Ao seu pedido emiti um cheque da conta da minha empresa Inside Mozambique Lda a favor de um funcionário do Conselho Municipal da Beira, por ele indicado, de nome José João Massuca. O valor nunca foi devolvido.

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Um dia depois, no dia 16 de Agosto de 2016 durante uma gravação no Auditório Municipal, dois colegas da inspecção do património do CMB pediram um esclarecimento sobre a compra de equipamento do estúdio. Os fiscais monstraram um recibo da compra de material de estúdio de uma loja da Beira do mês de Março de 2016 por um valor de mais de 300 mil MT. Expliquei aos oficiais que no inventário do estúdio havia apenas equipamento comprado em Outubro de 2015 e que não tinha conhecimento de mais material adquirido em nome do estúdio. Quando questionei a requisação no escritório do Director Apingar Garcia, o mesmo me insultou e ameaçou de solicitar a rescisäao do meu contrato. Comuniquei o incidente ao Edil que prometeu uma investigação e posterior intervenção. Tomei a iniciativa de trabalhar com os artistas na casa de hóspedes e regressar à Maputo antes da data prevista. Fiquei mais de 2 anos a espera de uma intervenção do Daviz Simango e decidi de participar a ocorrência no Gabinete Central de Combate à Corrupção no dia 15 de Outubro de 2018.

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Em Setembro de 2016 o grupo Dhakala Band decidiu unilateralmente terminar a colaboração com minha empresa e iniciou uma campanha de difamação contra mim nos programas de Rádio Moçambique. A banda informou publicamente que o Director Apingar Garcia contratou para a produção do álbum "Urombo" um jovem zimbabweano sem nenhuma referência internacional e que as restantes gravações serão realizadas no estúdio Kuiyumba da Casa Provincial de Cultura.

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Em Outubro de 2016, dois meses depois do primeiro encontro com o Presidente do Município de Nampula, Mahamudo Amurane, apresentei o projecto de produção e formação numa reunião em Nampula.

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No dia 9 de Janeiro de 2017 enviei um relatório sobre as dificuldades da implementação do projecto na Cidade da Beira para o Presidente do Conselho Municipal, Daviz Simango. O Edil da Beira não respondeu as questões levantadas no meu Email, mas confirmou a recepção.

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Em Janeiro de 2017 o Presidente do Município de Nampula, Mahamudo Amurane, confirmou a disponibilidade de fundos de parcerias com empresários locais para aquisição de equipamento, as despesas de produção e formação, incluíndo a disponibilização de duas salas para o estúdio num novo complexo comercial. Viajei para Nampula e realizei as inscrições com os jovens para a formação de técnicos de som.

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Surpreendido com a falta de apoio da parte do coordenador do projecto para a logística do transporte, foi necessário levar uma parte do equipamento na bagagem do meu voo de Maputo para Nampula e deixar a outra parte ainda no meu estúdio na Massaca/Boane, onde o mesmo está guardado até hoje.

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Ao contrário das instruções do Presidente Amurane, que estava de viagem para o Brasil, nenhum protocolo de entrega foi preparado pelo  Sr. Celso, Director de Comunicação e Imagem do Conselho Municipal de Nampula. O mesmo me falou que tinha um estúdio privado em Nampula.

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Em vez de instalar o equipamento nas salas do complexo comercial, o Director Celso indicou uma sala em pessimas condições e sem segurança numa dependência anexa a Câmara Municipal, onde o equipamento ficou até a data do meu regresso para Maputo.

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Em Fevereiro de 2017 o Presidente do Município da Beira marcou uma reunião no CMB para debater as minhas acusações sobre actos de corrupção, roubos, ameaças, falta de pagamentos, sabotagens e difamação pública. Daviz Simango prometeu tomar medidas duras e depois de resolver todos pendentes me contactaria para combinar o reinício das minhas actividades na Beira. Ao pedido do Edil entreguei todo material gravado com o grupo Dhakala Band entre Outubro de 2015 e Agosto de 2016.


Dois meses depois, em Abril de 2017, o Edil da Beira informou sobre as dificuldades orçamentais para o ano em curso e anunciou adiar o Festival Moya para Junho de 2018. Daviz Simango pediu que eu aguardasse para as decisões sobre o reinício do projecto de produção e formação no Estúdio Municipal da Beira. Informou também que por razões políticas desistiu dos estúdios e da formação nos Municípios de Nampula e Quelimane. Os fundos inicialmente planeados para os dois Municípios seriam canalizados para a conclusão das obras do estúdio no Auditório Municipal da Beira, para a produção dos artistas locais e a realização da primeira edição do Festival Internacional Moya en Junho do ano de 2018 na Beira.

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Em Abril de 2017 o Presidente do Município de Nampula, Mahamudo Amurane, confidenciou me que o chefe da Liga Nacional da Juventude do MDM, Sande Carmona, instruiu membros do partido para sabotar meu Projecto de Produção e Formação nos três Municípios. O Edil de Nampula disse me que em 2016 o Sande Carmona, coordenador do projecto, procurou terrenos em Nampula para a construção de um condomínio e de um mega-estúdio que seria dirigido pelo Uria Simango, filho mais velho do Edil da Beira.

Em Junho de 2017 o Presidente do Município de Nampula acusou o Porta-voz do MDM e deputado da Assembleia da República publicamente de actos de corrupção. Ele relatou que o Sande Carmona solicitou no ano de 2016 a retirada de moradores de um espaço em Nampula para a construção de um estúdio de gravação de música, sem pagar as despesas de reassentamento das pessoas afectadas e o pagamento de taxas autárquicas. Quando pedi uma explicação ao coordenador do projecto, o Sr. Carmona chamou o Edil de Nampula nas suas mensagens “um mentiroso maluco”.

Em Outubro de 2017 o Presidente do Município de Nampula, Mahamudo Amurane foi assassinado. Depois ninguém do Município de Nampula me deu uma resposta sobre a continuação do Projecto de produção e formação.

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Somente em Março de 2018 o Presidente do Município da Beira respondeu as minhas correspondências e marcou um encontro no Hotel Montebelo Indy em Maputo junto com o coordenador do projecto, Sande Carmona. Na reunião o Edil Daviz Simango informou que já tinha tomado a decisão de demitir o Director Apingar Garcia por causa das minhas e outras queixas na Beira.


No dia 3 de Abril de 2018 o Edil solicitou via mensagem um reenvio da minha carta de Janeiro de 2017 para se inteirar novamente no assunto. Depois nunca mais respondeu ou comunicou comigo.

No dia 2 de Julho de 2018 informei o Edil de não ter recebido meu salário de Maio e Junho. Contactei também a Directora dos Recursos Humanos, o coordenador do projecto Sande Carmona e o responsável das Finanças Nilton Soares. Todos disseram que o assunto só podia ser tratado directamente com o Presidente Daviz Simango.

Em Novembro de 2018  submeti uma queixa no Ministério da Administração Estatal e Função Pública, não respondida até hoje.

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Em 2019 e 2020 continuei o trabalho do primeiro álbum da cantora Ndjira, inicialmente proposta pelo Edil Daviz Simango. As gravações foram realizadas no meu estúdio na Massaca/Boane sem apoio de nenhuma instituição.

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Um das músicas da jovem artista da Beira foi inspirada pela sua própria experiência durante a passagem do cíclone Idai. A cantora foi excluída das actuações no âmbito da conferência internacional da angariação de fundos para a reconstrução das infra-estruturas depois do ciclóne Idai, realizada na Beira.