• Roland Hohberg

No Reino da Censura


Nos anos 1997/98 o famoso concurso nacional Ngoma não estava aberto para qualquer artista, apenas para aqueles que realizavam suas gravações nos estúdios da RM.


A parada de música moçambicana promovido pela Rádio Moçambique dividiu os artistas moçambicanos em duas categorias: privilegiados e desfavorecidos.


Dessa regra discriminatória ninguém escapava, nem uma Zena Bacar com seu grupo Eyuphuro, Zaida e Carlos Chongo, Xidiminguana, Alexandre Langa ou membros do Projecto Mabulu, como Chonyl, António Marcos, Lisboa Matavel, Dilon ou Mucheca.


Na época em que até grupos jovens como Kawai K10 ou Rockfellers não tinham permissão para gravar nos estúdios da RM, quase toda geração jovem realizou as gravações em estúdios privados.


E não eram estúdios financiados com os impostos do povo, lavagem de dinheiro, drogas, raptos ou corrupção.

Estúdio da Mozambique Recording LDA em 1997


Apesar destas desvantagens económicas para as empresas privadas moçambicanas, as gravações em estúdios privados eram muito mais baratas.


Em 1998 a gravação nos estúdios da RM custava 85 Dolares americanos por hora, no estúdio da Mozambique Recording por exemplo apenas 10 Dolares.


Além disso as grandes empresas estatais e ONGs estrangeiras patrocinavam apenas as gravações na RM.


Censura e discriminação reinavam na música nacional.


O mercado musical nacional sofreu extremamente com a ditadura de um desenvolvimento cultural controlado pelo partido único.


Muitos jovens da virada do milênio tiraram conclusões disso para suas carreiras e seguiram o "Patrão é Patrão".


Hoje cantam nas campanhas políticas, comem onde estão amarrados e finalmente podem também ganhar premios, geleiras e fogões.


Parabéns aos vencedores!