• Roland Hohberg

Quem cala consente

Há 18 anos, minha empresa assinou um contrato de agenciamento com o grupo Djaaka da Beira. Na altura eu acreditava que o grupo tinha potencial para ter sucesso em digressões internacionais como os grupos Mabulu e Eyuphuro. No entanto, houve muita disputa dentro do grupo sobre a posição do chefe, um problema que já levou ao fim a carreira de muitas outras bandas moçambicanas. Nem o Ministério da Cultura nem a Associação dos Músicos Moçambicanos apoiaram os artistas com conselhos para avançar com o objetivo comum da promoção da nossa cultura no mercado internacional. Assim como no grupo Eyuphuro, o auto-declarado chefe do grupo Djaaka não estava interessado no cumprimento de acordos contratuais. Pretendia ser empresário sem experiência profissional. Pegou o dinheiro dos patrocinadores e os contactos dos directores dos festivais, fornecidos pela minha agência, e viajou com os outros membros do grupo à europa como se fosse um passeio em família. Não chegaram a actuar em nenhum festival porque a viagem terminou logo no aeroporto de Londres. Sem vistos e permissão de trabalho válidos, o grupo teve que regressar a Moçambique com o próximo avião. Mas as autoridades em Moçambique não se preocupam com o facto de que organizadores de festivais internacionais ficam decepcionados quando anunciaram músicos do nosso país para o público, que depois criam uma má reputação de Moçambique no exterior. Consentimento silencioso.